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CRISE DO IMPERIALISMO DOS EUA E OFENSIVA GLOBAL MARCAM NOVA FASE DE INSTABILIDADE MUNDIAL, APONTA EMIR MOURAD

Imagem: Comunicação da Intersindical
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O mundo atravessa uma transição histórica marcada por tensões crescentes, violência e disputas abertas entre potências.

Estamos vivendo transição histórica e toda transição é tensa, violenta e perigosa. O que está em crise diante dos nossos olhos não é apenas um governo, uma política externa. É o esgotamento de um ciclo histórico de dominação capitalista sob hegemonia norte-americana. A avaliação foi feita por Emir Mourad, secretário-geral da Confederação Palestina Latino-Americana e do Caribe (COPLAC), durante o IV Congresso da Intersindical da Classe Trabalhadora, na manhã deste sábado (28/03), em São Paulo.

A leitura dialoga com a clássica formulação do historiador Paul Kennedy, autor de Ascensão e Queda das Grandes Potências, para quem o poder de uma nação depende do equilíbrio entre força militar e base econômica.

Para Mourad, esse equilíbrio foi rompido: “Os Estados Unidos seguem sendo uma potência militar colossal, mas já não conseguem converter essa força em hegemonia estável, autoridade legítima ou ordem duradoura”.

Mesmo ainda armados e ricos, os EUA enfrentam limites concretos. A ascensão da China — que já supera os norte-americanos em poder de compra — expõe o deslocamento do centro econômico global.

Diante disso, afirma o dirigente, o imperialismo recorre a instrumentos cada vez mais agressivos como sanções econômicas, tarifas punitivas, bloqueios, guerras e intervenções. “Quando uma potência percebe que perde capacidade de mando, ela intensifica a coerção”, resume.

BRICS e a disputa por uma nova ordem mundial

Nesse cenário, o fortalecimento do BRICS surge como um dos principais pontos de tensão.

Para Mourad, o bloco incomoda diretamente os interesses dos EUA por atacar um dos pilares da dominação imperial: o controle financeiro global.

“O BRICS não trata apenas de comércio. Ele abre caminho para que países emergentes negociem entre si, utilizem moedas locais e reduzam a tutela norte-americana.”

O crescimento do bloco — impulsionado por países como China e Rússia — tem sido respondido com medidas hostis, incluindo sanções e pressões políticas.

Brasil sob pressão e ingerência externa

O dirigente também denuncia o que chama de intensificação da ingerência dos EUA sobre países soberanos, incluindo o Brasil.

Segundo ele, ações recentes demonstram formas contemporâneas de intervenção: sanções e tarifas como instrumentos políticos, pressões sobre instituições nacionais e restrições diplomáticas. “Isso tem nome: ingerência, tutela e coerção sobre a soberania dos povos”, afirma.

Mourad cita ainda casos emblemáticos da política imperial como o bloqueio econômico contra Cuba e as ações e intervenções na Venezuela, como tentativas de mudança de regime.

Palestina: epicentro da crise moral do sistema

Para o dirigente, é na Palestina que a crise do imperialismo se revela de forma mais brutal.

De acordo com Mourad, a ofensiva sobre Gaza expressa não apenas um conflito regional, mas o esgotamento moral da ordem internacional a partir de dezenas de milhares de mortos, da destruição sistemática da infraestrutura e do colapso humanitário.

Ele responsabiliza diretamente os Estados Unidos por sustentarem politicamente Israel: “O genocídio em Gaza não pesa apenas sobre Israel, mas sobre o imperialismo norte-americano que protege essa máquina de guerra”.

Mourad também critica propostas recentes para a região, que classifica como “pacificação colonial”, sem garantia de soberania ao povo palestino.

Um imperialismo mais violento e menos legítimo.

“O imperialismo hoje é mais agressivo, mais destrutivo e menos convincente”, diz ele.

Diante desse quadro, Mourad defende que a luta contra o imperialismo é, ao mesmo tempo, uma luta por soberania nacional, controle de recursos estratégicos, justiça internacional e autodeterminação dos povos. “Ou aceitamos um mundo governado por sanções arbitrárias, tarifas punitivas e guerras, ou nos colocamos com firmeza ao lado do direito dos povos de existir e decidir seu próprio destino”.

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