Zilmar Alverita questiona a representação feminina nos sindicatos e centrais

Zilmar Alverita questiona a representação feminina nos sindicatos e centrais
Imagem: Comunicação da Intersindical
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Zilmar Alverita da Silva, filha de sem terra, de Salvador, abriu sua exposição destacando a força da mulher e seu pioneirismo, a partir da primeira greve geral no País, organizada por elas, em São Paulo, por conta do assédio sexual vivido pelas operárias na indústria têxtil em 1917.

“Essa pauta ainda não é vista no meio sindical, ela mobiliza, foi ela que engrossou o caldo da primeira greve geral no País”, enfatizou.

Outro ponto que precisa ser discutido pelo sindicalismo, segundo ela, é a questão das cotas, que já virou projeto de lei: a retirada das cotas para as mulheres nas eleições.

Alverita citou pesquisa da socióloga Élida Franco, sobre a ação sindical e a questão de gênero, realizada na CUT, e que revela o antagonismo das relações existentes entre homes e mulheres na própria central, enquanto os homens lutam violentamente para defender seus estados de poder.

“Quando a paridade foi aprovada na CUT a estrutura sindical dobrou, criou-se o cargo de adjunto, os homens criaram um gueto para não fazer o real compartilhamento do poder”, explicou.

O mesmo, segundo ela, não acontece em tesouraria porque a pasta continua nas mãos dos homens. “Depois de criada uma comissão para estudar a paridade entre homens e mulheres, a CUT leva sete anos para aprovar as cotas e a Secretaria Nacional das Mulheres só é criada 11 anos depois!”, exemplifica.

Feminicídio

A militante alerta sobre o perigo de continuar no gueto falando só para as mulheres. “As taxas de feminicídio nos convidam a repensar nossas políticas, me parece que além da auto-organização precisamos apostar em espaços abertos de diálogo”.

Em 2015 foram 445 casos de feminicídio, em 2016 passou para 763 e em 2017 saltou para 1047 casos. Antes de 2015 não havia instrumento para caracterizar o feminicídio como tal.

O grande desafio dessa conjuntura, segundo ela, é a defesa da vida das mulheres. “Estamos morrendo e o assassino dorme ao nosso lado, por isso a lei Maria da Penha foi necessária porque a violência de gênero não é uma violência qualquer”.

Para ler a tese da pesquisadora Élida Franco clique aqui.

Texto: Tsuli Turbiani


 

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