
Organizado pela Intersindical, CTB e VAT, ato na Praça Roosevelt reuniu sindicatos, movimentos populares, juventude, parlamentares e militantes em defesa do fim da escala 6×1.
No Dia Internacional da Classe Trabalhadora, a Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, foi ocupada por trabalhadoras, trabalhadores, juventudes, sindicatos, movimentos populares, parlamentares e organizações democráticas em um ato marcado pela defesa do fim da escala 6×1, pela redução da jornada sem redução de salários, pela ampliação dos direitos sociais e trabalhistas e pela defesa intransigente da democracia.
Organizado pela Intersindical — Central da Classe Trabalhadora, pela CTB e pelo VAT — Vida Além do Trabalho, o ato do 1º de Maio em São Paulo expressou uma importante iniciativa política em um momento decisivo da conjuntura nacional. A manifestação na Praça Roosevelt teve como eixos a crítica à derrubada do veto ao PL da Dosimetria e a defesa do fim da escala 6×1.
Pelo segundo ano consecutivo, não houve ato unificado das centrais sindicais na capital paulista. Ainda assim, a mobilização convocada pela Intersindical, CTB e VAT afirmou um caminho necessário: construir unidade na luta concreta da classe trabalhadora, em torno de uma pauta que dialoga diretamente com a vida de milhões de brasileiros e brasileiras.
A luta pelo fim da escala 6×1 foi o eixo central da manifestação. A reivindicação sintetiza o enfrentamento à precarização, ao adoecimento e à exploração cotidiana de quem vive do próprio trabalho. Para a Intersindical, defender a redução da jornada é defender o direito ao descanso, à convivência familiar, à cultura, ao estudo, ao lazer, à saúde e à vida.
A secretária-geral da Intersindical, Nilza Pereira de Almeida, destacou o esforço coletivo para construir o ato na maior cidade do país e afirmou que São Paulo não poderia ficar sem uma mobilização da classe trabalhadora no 1º de Maio.
“Com muita luta e com muita alegria, nós construímos este ato. Começamos humildemente, dizendo que a cidade de São Paulo precisava ter uma atividade. Não é possível que, na maior cidade do país, não tenha um ato dos trabalhadores e das trabalhadoras para dizer que queremos o fim da escala 6×1”, afirmou.
Nilza ressaltou que a mobilização foi construída inicialmente pela Intersindical, pelo VAT e pela CTB, e que, ao longo do processo, outras entidades, movimentos e organizações se somaram à iniciativa.
“Durante a nossa caminhada, se juntaram vários outros movimentos e organizações que entendem a importância deste ato. Não importa apenas o tamanho, importa a qualidade de cada um e de cada uma que veio aqui hoje para dizer que queremos o fim da escala 6×1 já”, declarou.
A dirigente também criticou a composição do Congresso Nacional e defendeu que a mobilização popular enfrente tanto os ataques aos direitos sociais quanto a violência que atingem cotidianamente as mulheres.
“Queremos que esse Congresso, que tem em sua maioria inimigos do povo, vote pautas contra a misoginia, porque nós sofremos diariamente com isso. Não é possível que tantas mulheres vivam uma situação de violência que chega ao feminicídio. Nós estamos vivendo uma epidemia”, denunciou.
Nilza reforçou ainda que a reivindicação pelo fim da escala 6×1 não pode ser adiada para depois das eleições ou condicionada a longos períodos de adaptação.
“Nós não aceitamos depois da eleição, não aceitamos período de adaptação. É já, neste momento, porque nós trabalhamos muito. São os trabalhadores e trabalhadoras que carregam este país nas costas”, afirmou.
Também representando a Intersindical, Ricardo Saraiva Big, secretário de Relações Internacionais da Central e dirigente do SEEB Santos, fez uma intervenção firme contra parlamentares que atacam direitos trabalhistas e defendeu a mobilização popular como resposta aos setores conservadores do Congresso.
“Os senadores e deputados que estão contra os trabalhadores precisam receber a resposta do povo nas ruas. Nós dizemos: chega de deputados e senadores corruptos, chega de parlamentares que atacam os direitos da classe trabalhadora. Por isso, a luta contra a escala 6×1 é fundamental para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, afirmou.
Em sua fala, Ricardo Big recuperou a palavra de ordem histórica da resistência democrática e popular.
“Não passarão. Esses que atacam os direitos do povo terão a resposta que o povo sabe dar: organização, luta e mobilização nas ruas”, declarou.
Além da pauta do trabalho, o 1º de Maio na Praça Roosevelt também foi marcado pela denúncia dos ataques à democracia e pela crítica à derrubada do veto ao chamado PL da Dosimetria. A ex-ministra e deputada federal Marina Silva (REDE) classificou como uma vergonha a movimentação do Congresso para reduzir penas de golpistas.
“Foi uma vergonha, uma vergonha. Atacaram nossa democracia, com discurso falso e hipócrita, reduzindo a pena dos golpistas. Eles se esconderam atrás do anonimato. Viva a democracia e viva os trabalhadores”, afirmou Marina.
Marina também lembrou que o país “elegeu um trabalhador pela primeira vez na história desse país”, ao citar o presidente Lula, e relacionou essa trajetória ao compromisso com a geração de empregos e com a dignidade das famílias trabalhadoras.
A deputada federal Sônia Guajajara (PSOL) também fez uma fala de enfrentamento ao atual Congresso, defendendo organização popular para mudar a correlação de forças no Parlamento.
“Se nós nos organizarmos, a gente renova este Congresso, que é inimigo do povo. Não dá mais para a gente suportar essas representações que estão na Câmara dos Deputados e no Senado Federal”, afirmou Sônia. A deputada também defendeu a eleição de representantes comprometidos com as pautas sociais, “com a nossa vida”, “com a justiça social” e “com a liberdade democrática”.
A vereadora Luna Zarattini (PT) reforçou a centralidade da luta da classe trabalhadora e afirmou que o fim da escala 6×1 será conquistado pela mobilização popular.
“O fim da escala 6×1 será arrancado na unha e na luta do povo brasileiro. Nós nunca tivemos ilusão com esse Congresso, que é inimigo do povo. Ontem, eles aprovaram a anistia para golpistas e bandidos. Hoje estamos aqui defendendo os trabalhadores e dando o recado: reelegeremos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma nova bancada que enfrente a extrema direita”, discursou.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL), uma das principais vozes nacionais na luta pelo fim da escala 6×1, também criticou duramente o Congresso Nacional. Segundo ela, a votação transmitiu à sociedade a mensagem de que “está tudo bem dar um golpe, está tudo bem atacar a democracia”.
“O povo quer dignidade, quer descanso e quer tempo com a família, não quer essa farra que o Congresso tem praticado, não quer ver anistia para golpista”, afirmou Erika.
O ato também expressou a amplitude da mobilização construída na Praça Roosevelt. Participaram juventudes e entidades estudantis como UMES São Paulo, UBES e UNE; movimentos populares e organizações como Diálogo e Ação Petista, Ação Antifascista, Campanha Contra a Carestia, Federação das Mulheres Paulistas, União Brasileira de Mulheres, FACESP, CNAB, MST, Povo Sem Medo, MTST e Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, com representação de JR Freitas, liderança dos entregadores por aplicativos .
Também estavam presentess na tribuna representantes do Legislativo municipal, estadual e federal, entre eles parlamentares do PSOL Amanda Paschoal, Keith Lima, Silvia Ferraro e Celso Giannazi; as deputadas e deputados estaduais Ediane Maria (PSOL) e Carlos Giannazi; e parlamentares federais como Orlando Silva (PCdoB) e Juliana Cardoso (PT). O ato contou ainda com a presidenta do PSOL, Paula Coradi, e do PCdoB, Nádia Campeão, além de entidades sindicais e das centrais organizadoras.
O 1º de Maio foi palco de uma disputa política em São Paulo. De um lado, a Praça Roosevelt concentrou trabalhadores, movimentos populares, sindicatos, jovens e parlamentares, que defendiam uma pauta de direitos. De outro, a direita tentou se apropriar simbolicamente da data na Avenida Paulista, mas a manifestação, mesmo com apoio do Governo Tarcísio, foi um grande fracasso da extrema-direita, reunindo apenas 95 pessoas.
Para a Intersindical, o balanço político do ato é positivo. A Central teve papel destacado na construção da mobilização, reafirmou sua capacidade de articulação e se consolidou como referência na defesa de uma pauta concreta, popular e profundamente sentida pela classe trabalhadora. A realização do ato na maior cidade do país, em meio à dispersão provocada pela ausência de unidade entre as centrais, foi uma vitória política importante.
O 1º de Maio na Praça Roosevelt demonstrou que há disposição de luta, há pauta concreta e há setores sociais dispostos a construir uma alternativa classista, democrática e popular. A tarefa agora é seguir nas ruas, nos sindicatos, nos locais de trabalho, nos territórios e nas redes, ampliando a campanha pelo fim da escala 6×1 e fortalecendo a organização da classe trabalhadora.
Viva o 1º de Maio!
Fim da escala 6×1 já!
Redução da jornada sem redução de salários!
Em defesa da soberania, democracia, dos direitos da classe trabalhadora!
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