Entrar
no grupo

Caixa deixará de pagar insalubridade para avaliadores de penhor

Imagem:
Compartilhe:

Movimento sindical se organiza para fazer perícia técnica e contestar decisão, anunciada pelo banco na última terça-feira, 5.

Em comunicado aos empregados na última terça-feira, 5, a Caixa afirmou que deixará de pagar aos avaliadores de penhor o adicional de insalubridade, benefício que corresponde a meio salário mínimo (R$ 440). A decisão tem como base laudos técnicos realizados pelo próprio banco nas unidades onde a função é executada e será válida já a partir de julho.

A Comissão dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) questiona os pareceres apresentados e se organiza para realizar uma perícia nos locais de trabalho e avaliar se persistem ou não os riscos a que são expostos esses profissionais. De acordo com Dionísio Reis, membro da CEE/Caixa, já foi acionada assessoria jurídica para dar suporte ao trabalho. A Comissão também está contratando perícia técnica e contatou a Fundacentro, entidade vinculada ao Ministério do Trabalho com expertise na área de segurança, higiene e saúde no trabalho.

Para a diretora de Saúde e Condições de Trabalho do Sindibancários/ES, Lizandre Borges, não foram feitos investimentos suficientes para garantir condições de trabalho adequadas e salubres aos avaliadores de penhor, o que torna a decisão do banco “absurda”. “Nem os equipamentos que a Caixa fornece são apropriados para a atividade. As luvas fornecidas rasgam com facilidade, não existem pias exclusivas entre outros problemas. O banco está criando para si um passivo trabalhista, retirando um direito previsto em lei para compensar uma atividade que traz riscos à sua saúde do trabalhador”, diz Lizandre.

Leonardo Barros Ribeiro, avaliador de penhor na agência Goiabeiras, Vitória, reforça a crítica à Caixa. “A única coisa que o banco faz é fornecer EPI (Equipamento de Proteção Individual), mas isso não descaracteriza a insalubridade, apenas cumpre uma exigência legal”, diz Leonardo, fazendo referência às leis de segurança do trabalho que determinam o uso do equipamento para os avaliadores em função do manuseio de ácidos, como o nítrico e o clorídrico. A manipulação de produtos químicos tóxicos está entre os principais riscos da função.

Leonardo também questiona os investimentos que a Caixa diz ter feito, como a instalação de exaustores. “Não há exaustores em nenhuma unidade do Espírito Santo. Existe, na verdade, um ventilador que cumpre o papel contrário ao de um exaustor. Ao invés de renovar o ar exaurindo os gases tóxicos, o aparelho espalha no ambiente a fumaça e os vapores dos ácidos. É um espalhador de ácido!”, denuncia.

Segunda a coordenadora da CCE, Fabiana Mateus, a expectativa é que os resultados da perícia técnica feita pelo movimento sindical estejam prontos até a próxima terça-feira, 12 de junho, quando acontecerá uma reunião de negociação extraordinária com a Caixa em que o problema será tratado. Para Fabiana, os lucros do banco não justificam a medida, que precariza ainda mais o trabalho dos empregados.

“O benefício de R$ 440 não paga a saúde do trabalhador e nem fará diferença para a Caixa, que lucra bilhões todos os anos. Se preciso for, mobilizaremos a categoria”, ressalta.

Fonte: Sindicato dos Bancários do Espírito Santo com informações da Fenae

Acha esse conteúdo importante? Entre em nosso grupo de WhatsApp ou inscreva-se para receber nossa Newsletter

Comente esta publicação

Acompanhar a discussão
Notificar de
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
INTERSINDICAL Central da Classe Trabalhadora | 2014-2024. Sede Nacional: Rua Riachuelo, 122 - CEP: 01007-000 | Praça da Sé - São Paulo - SP | Fone: +55 11 3105-5510 | E-mail: [email protected] Sindicatos e movimentos sociais. Permitida a reprodução dos conteúdos do site, desde que citada a fonte. Esse site é protegido por reCAPTCHA. Políticas de Privacidade e Termos de Serviço se aplicam

Cadastre-se

Receba novidades em seu e-mail. Sem spams.
Pular para o conteúdo