
André Mendonça quer abrir caminho para uma nova tentativa de golpe contra as instituições eleitorais e as eleições.
A trama golpista, que nunca foi definitivamente erradicada desde o impeachment contra a Presidenta Dilma em 2016, reaparece à luz do dia, em pleno curso do processo eleitoral. Os acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal não podem ser tratados como simples controvérsia entre autoridades, mas sim, como uma manobra meticulosamente articulada no tempo e no espaço para desestabilizar e descredibilizar as instituições brasileiras e interferir nas eleições de outubro/2026. A situação exige atenção e mobilização da classe trabalhadora e das forças democráticas brasileiras para barrar o golpismo e garantir a vontade do povo, que será expressa nas urnas.
André Mendonça, ministro do STF, afirma ter sido vítima de “monitoramento sistemático e ilegal” por parte da Política Federal, produzido no interior da instituição, investigações relacionadas aos casos do Banco Master e das fraudes do INSS.
A atuação do ministro André Mendonça foi política, parcial, seletiva e ilegal. O Código de Processo Penal proíbe de forma expressa que um juiz julgue causas nas quais seja parte interessada. Ao acumular a condição de vítima e julgador do suposto monitoramento, o ministro Mendonça afronta o princípio da isenção judicial: quem se diz vítima de uma conduta jamais pode conduzir e julgar as medidas aplicadas àqueles a quem atribui responsabilidade. Além disso, a decisão de afastar dirigentes da Polícia Federal não tem base constitucional. Conforme a Lei nº 15.047/2024, a prerrogativa para instaurar procedimentos disciplinares restringe-se a autoridades internas da própria PF. Ao intervir diretamente e concentrar as funções de vítima, julgador e supervisor da investigação, o ministro estabelece um manifesto conflito de interesses que compromete a imparcialidade e o devido processo legal. Mendonça se colocou acima da lei.
A quem interessa o afastamento do Diretor-geral da PF Andrei Rodrigues? Sob sua direção, a PF investigava conexões do Banco Master com diversos políticos, incluindo diversas pessoas do campo bolsonarista, envolvendo doações, uso de aeronaves e investimentos suspeitos. A decisão de Mendonça (indicado por Bolsonaro) de afastar Andrei Rodrigues gera incertezas sobre o futuro desses inquéritos. É essencial garantir que a investigação prossiga sem interferências ou tratamento seletivo, mantendo o devido processo legal para todos os envolvidos. Por isso apoiamos a decisão do Ministro Flávio Dino de reintegrar Andrei Rodrigues e Leandro Almada (Chefe da Inteligência) aos seus cargos.
A quem interessa a crise gerada por Mendonça durante o processo eleitoral? A extrema direita se alimenta do descrédito das instituições. Cada abuso, cada suspeita não esclarecida e cada decisão ilegal, como a de Mendonça, cria o combustível para uma narrativa segundo a qual o STF, a Polícia Federal, a Justiça Eleitoral e, finalmente, as próprias eleições não seriam instituições legítimas. Não podemos permitir que essa operação seletiva prepare novamente o terreno para um novo golpe no país, às véspera das eleições.
A atuação de André Mendonça ganha ainda maior gravidade diante das ameaças à soberania nacional. Ao transformar uma investigação ainda em andamento em uma crise no STF e afastar a direção da Polícia Federal às vésperas das eleições, Mendonça cria um ambiente de instabilidade no país, que só interessa aos setores da extrema direita nos Estados Unidos. Setores extremistas do governo Trump articulam meios para voltar a aplicar sanções contra autoridades brasileiras, utilizando a crise no STF como justificativa e buscando produzir um impacto político negativo em plena campanha eleitoral, colocando as instituições brasileiras em risco. Não podemos ignorar que o comportamento de Mendonça contribui para os interesses imperialistas: qualquer crise produzida dentro das instituições brasileiras será utilizada pelos EUA para pressionar o Brasil e interferir diretamente em nosso processo eleitoral. Portanto, defender a democracia é também defender a soberania nacional e garantir que, somente o povo brasileiro decida, livremente e nas urnas, quem governará o país. O Brasil é dos brasileiros e das brasileiras.
Defender a democracia e a soberania neste momento é garantir a integridade das eleições e a vitória de Lula e das forças democráticas. Mas, sabemos que não podemos esperar que a crise institucional seja resolvida apenas pelas próprias instituições, pois, será a mobilização do povo que garantirá a derrota dos golpistas.
A Intersindical defende que se investigue a fundo, todas as pessoas envolvidas em todas as camadas do processo, desde que seja respeitado o devido rito processual legal.
É o momento de ganhar as ruas, intensificar a organização dos Comitês Populares de Luta, e ampliar o diálogo com a classe trabalhadora.
SIM À DEMOCRACIA!
SIM À SOBERANIA!
NÃO AO GOLPE!
São Paulo, 09 de setembro de 2026.
Direção Nacional da Intersindical Central da Classe Trabalhadora
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