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NOTA DE CONJUNTURA DA DIREÇÃO NACIONAL DA INTERSINDICAL

Comunicação da Intersindical
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A Direção Nacional da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, reunida em 14 de maio de 2026, avaliou a conjuntura nacional e reafirmou a necessidade de ampliar a organização da classe trabalhadora, fortalecer a unidade de ação no campo sindical e popular e intervir de forma decidida nas principais lutas do próximo período.

A Intersindical reafirma a compreensão de que a luta contra o fascismo e contra a extrema-direita deve estar diretamente ligada à ampliação de direitos. A democracia só será defendida e aprofundada se responder às necessidades reais da classe trabalhadora: salário, emprego, jornada digna, serviços públicos de qualidade, moradia, saúde, educação, previdência, soberania nacional e liberdade de organização sindical.

Fim da Escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho

Nesse sentido, a principal tarefa do próximo período é transformar a insatisfação social em mobilização organizada. A pauta do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução de salário expressa uma reivindicação histórica da classe trabalhadora e tem demonstrado enorme capacidade de diálogo com amplos setores da população, especialmente com a juventude trabalhadora e com os setores sem direitos. Aproximadamente 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, de acordo com as pesquisas mais recentes divulgadas entre março e maio de 2026.

A campanha pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, representa uma conquista histórica para a classe trabalhadora brasileira e uma resposta concreta à necessidade de garantir mais tempo para a vida, para a convivência familiar, para o descanso, a cultura e o lazer.

A medida poderá beneficiar diretamente mais de 37 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, consolidando o modelo de cinco dias de trabalho por dois dias de descanso, assegurando dois repousos semanais remunerados e *consecutivos* com a preservação integral dos salários. Além de enfrentar jornadas exaustivas e seus impactos sobre a saúde física e mental, a proposta dialoga com experiências internacionais bem-sucedidas, com os avanços tecnológicos e com os ganhos de produtividade, demonstrando que é possível construir um modelo de desenvolvimento que combine valorização do trabalho, bem-estar social, inclusão e redução das desigualdades.

Para a Intersindical, trata-se de uma pauta central da conjuntura, pois atinge diretamente a vida cotidiana do povo trabalhador e recoloca no centro do debate nacional a afirmação de que tempo não é privilégio: é direito.

A tramitação da proposta entrou em momento decisivo no Congresso Nacional. O relatório da PEC do fim da escala 6×1 deve alterar três pontos da Constituição Federal: a redução do limite da jornada semanal de 44 para 40 horas; a garantia de dois repousos semanais remunerados, sendo um deles preferencialmente aos domingos; e a vedação à redução salarial, com previsão de punição às empresas que descumprirem a regra. O debate no Congresso reúne diferentes iniciativas. As PECs 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton, e 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes, foram apensadas e tratam da redução da jornada no texto constitucional. A proposta originalmente defendida por essas PECs previa jornada de 36 horas semanais, mas o acordo em discussão entre governo e Câmara aponta para a redução a 40 horas. Paralelamente, o projeto de lei enviado pelo governo federal propõe mudanças na CLT e em legislações específicas para regulamentar a aplicação da nova jornada em diferentes categorias, como comerciários, trabalhadores domésticos, aeronautas, atletas profissionais, radialistas e demais setores abrangidos por regimes próprios.

A previsão é que o relatório seja protocolado em 20 de maio, votado na comissão especial em 26 de maio e levado ao plenário da Câmara dos Deputados em 27 de maio. Esse calendário exige máxima mobilização das centrais sindicais, sindicatos, movimentos populares e da classe trabalhadora, pois a disputa não se limita ao mérito da proposta, mas também ao seu conteúdo final. O movimento sindical e popular deve atuar para impedir “jabutis”, prazos excessivos de transição, compensações patronais ou qualquer tentativa de desfigurar a reivindicação original.

Na prática, a combinação entre PEC e projeto de lei busca estabelecer uma nova referência para o mundo do trabalho no Brasil: jornada máxima de 40 horas semanais, escala 5×2, dois dias de descanso remunerado, manutenção dos salários e aplicação também a escalas especiais, como a 12×36, desde que respeitada a média semanal de 40 horas e mediante negociação coletiva. A Intersindical defende que a negociação coletiva seja instrumento de ampliação de direitos, jamais de redução ou flexibilização prejudicial aos trabalhadores e trabalhadoras.

A Direção Nacional da Intersindical avalia que há uma correlação de forças favorável para avançar nessa pauta, mas alerta que o empresariado e seus representantes no Parlamento atuam nos bastidores para limitar, adiar ou esvaziar a conquista. Entre os riscos identificados estão a tentativa de jogar a regulamentação para negociações coletivas fragilizadas, criar regimes diferenciados, estabelecer medidas compensatórias ao patronato, ampliar prazos de implementação ou incluir “jabutis” que retirem o sentido original da proposta. A posição da Intersindical é: fim da escala 6×1, redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial e de implementação imediata.

A redução da jornada é parte de uma agenda mais ampla de enfrentamento à precarização do trabalho. A informalidade, a terceirização, a pejotização, o trabalho por aplicativo e a intensificação das jornadas são expressões da atual fase de acumulação capitalista que busca ampliar a exploração e reduzir direitos. A reorganização da classe trabalhadora passa pelo diálogo com setores informais e plataformizados, com a defesa de direitos, limites à exploração e regulamentação protetiva.

A reivindicação pela tarifa zero no transporte público vincula-se intrinsecamente ao combate contra a escala 6×1, aprofundando a discussão sobre o direito ao tempo livre. O exercício efetivo do repouso pressupõe garantias materiais para que o conjunto da classe trabalhadora possa usufruir do espaço urbano, acessando cultura, formação e convivência social. Assim, a gratuidade nas passagens constitui uma política de valorização da renda indireta, beneficiando sobremaneira os trabalhadores e trabalhadoras informais e desempregados que hoje estão excluídos do acesso ao vale-transporte. Ao desonerar o orçamento doméstico do custo dos deslocamentos, a tarifa zero consolida o direito à cidade e potencializa a economia popular. Somada à isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil e à redução da jornada em curso, tal medida configura uma estratégia fundamental de redistribuição de riqueza para a maioria da classe trabalhadora.

Funcionalismo em luta por todo o Brasil

Além disso, a Central aponta a necessidade de fortalecer a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do setor público. Em diferentes estados e municípios, governos alinhados à direita e à extrema-direita avançam com reformas administrativas, demissões, ataques às carreiras, perseguição sindical e desmonte de políticas públicas. Esses ataques não são isolados. Fazem parte de um projeto de Estado mínimo para o povo e máximo para os interesses privados, que busca destruir direitos, privatizar serviços e enfraquecer a capacidade de organização coletiva da classe trabalhadora.

A Intersindical apoia da luta dos servidores e servidoras públicas a reivindicação pela regulamentação da Convenção 151 da OIT, que trata do direito à negociação coletiva no serviço público. Diante da agenda de reformas administrativas neoliberais, dos ataques às carreiras, da precarização das condições de trabalho, das demissões, da perseguição sindical e da tentativa permanente de enfraquecimento dos serviços públicos, a regulamentação da Convenção 151 é uma medida fundamental para assegurar canais democráticos de negociação, fortalecer a organização sindical e garantir que os conflitos entre governos e trabalhadores sejam tratados com respeito, transparência e reconhecimento dos direitos coletivos.

Para a Intersindical, defender os serviços públicos passa necessariamente por defender seus trabalhadores e trabalhadoras, garantindo o direito à negociação coletiva, à organização sindical e à valorização das categorias que sustentam cotidianamente as políticas públicas essenciais ao povo brasileiro.

Relações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

A Intercept Brasil, publicou no dia 13 de maio reportagem que aponta uma conexão direta entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, envolvendo negociações milionárias para financiar o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. Segundo a reportagem, apesar de Flávio Bolsonaro ter negado publicamente relação pessoal com Vorcaro e tentado atribuir o Caso Master a adversários políticos, mensagens e documentos obtidos pelo Intercept indicam tratativas privadas, pagamentos milionários enviados aos Estados Unidos por empresa ligada a aliados de Eduardo Bolsonaro e uma negociação de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos até agosto de 2025.

O episódio deve ser tratado como mais uma expressão das contradições da extrema-direita brasileira, que busca se apresentar como força moralizadora enquanto mantém relações com setores do grande capital financeiro e com operações suspeitas. A denúncia precisa ser acompanhada com rigor, cobrada das instituições competentes uma postura exemplar em relação ao submundo da extrema direita.

Tarefa Prioritária da Intersindical

A Direção Nacional orienta a militância da Intersindical a tratar as próximas datas da luta contra a escala 6×1 como prioridade absoluta de mobilização. Nos dias 19 e 20 de maio, é fundamental organizar presença política em Brasília, acompanhar a audiência pública das centrais sindicais e a apresentação do relatório, intensificando a pressão sobre parlamentares para garantir uma proposta sem redução salarial, sem “jabutis” e sem brechas para o patronato.

O 23 de maio deve ser construído como Dia Nacional de Luta, com atos, panfletagens, assembleias, intervenções nas bases e forte presença nas redes sociais, articulando sindicatos, movimentos populares e frentes unitárias nos estados; em São Paulo, a mobilização indicada ocorre no dia 24 de maio.

Já nos dias 26 e 27 de maio, quando estão previstas a votação do relatório na comissão e a votação da PEC no plenário da Câmara, a orientação é ampliar a pressão nacional, combinar presença em Brasília com mobilização nas bases e afirmar com unidade a palavra de ordem: fim da escala 6×1, redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e nenhum centavo a menos no salário.

Pelo fim da escala 6×1. Pela redução da jornada sem redução salarial.

Em defesa dos serviços públicos, dos direitos sociais e da organização da classe trabalhadora.

Direção Nacional da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

Maio de 2026

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